terça-feira, 22 de maio de 2018

[Escrita] Dicas de Nicholas Sparks e Neil Gailman para autores iniciantes!

Bem, hoje eu trago dois fenômenos da literatura estrangeira dando seus preciosos conselhos pra nós que somos amantes da caneta e do papel! Este é Nicholas Sparks, tirado do seu website oficial em inglês e traduzido pra vocês ^.^' - Não posso ter traduzido assim muito bem porque meu inglês não é lá isso tudo, mas deem um desconto ta? ;)

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Como aprender o Ofício
Aprender a escrever é como aprender qualquer outra coisa, e pode ser dividido em três partes gerais.

PESQUISE

Em primeiro lugar, há livros inteiros escritos sobre este assunto, e é importante perceber que qualquer informação fornecida aqui será em forma muito abreviada. Com isso em mente, o primeiro passo seria ler uma variedade de livros sobre o ofício da escrita. Em Reportagem de Stephen King, The Elements of Style por William Strunk e EB Branco, Criação de Ficção editado por Julie Checkoway, e uma profissão perigosa por Frederico Busch, são apenas alguns que eu recomendo. Eu também gosto Roteiro de Sid Field, que não se trata de escrever o romance, mas tem um monte de informações úteis. Estes títulos são o suficiente para você começar e há inúmeros outros livros sobre o tema que vai ajudar também, para tudo, desde a criação de personagens para chegar com parcelas.

LEIA

Em segundo lugar, você deve ler, e ler muito. Eu disse muito? Eu li mais de cem livros por ano e têm feito isso desde que eu tinha 15 anos de idade, e todos os livros que eu li me ensinou alguma coisa. Aprendi que alguns autores são incríveis no edifício suspense (ver The Firm por John Grisham), eu li os outros que assustam os Jeepers fora de mim (ver O Iluminado, de Stephen King). Alguns autores podem tecer um número incrível de linhas da história em um único romance, coerente com todas as partes que se unem no final que torna impossível parar de virar as páginas (ver A Soma de Todos os Medos por Tom Clancy), enquanto outros autores fazem me rir em voz alta (ver Bloodsucking Demônios por Christopher Moore). Eu também aprendi que muitos, muitos autores falhar ao tentar fazer essas coisas. Ao ler um monte de livros em uma variedade de gêneros, e fazendo perguntas, é possível aprender como as coisas são feitas, a mecânica da escrita, por assim dizer, e que os gêneros e autores destacam em diversas áreas.

Em seguida, se concentrar em o gênero que você quer escrever, e ler livros nesse gênero. Um monte de livros por uma variedade de autores. E leia com perguntas em sua mente. Em um filme de suspense, por exemplo, você pode perguntar: quantos personagens estavam lá? Muitos ou poucos? Quanto tempo durou a novela? Quantos capítulos estavam lá? Isso foi muito poucos, muitos ou apenas para a direita? Como o autor construir suspense? Será que o autor saiu do nada com uma surpresa? Ou será que a queda autor sugere mais cedo? Se sim, quantos palpites? Onde na novela ele colocá-los? Foi a cena de suspense, principalmente narrativa ou diálogo? Ou uma combinação de ambos? Será que isso funciona? Teria sido melhor de outra maneira? Onde é que os bandidos entrar? No começo? O meio? Quando eles encontram pela primeira vez o mocinho? O que aconteceu? Será que o leitor sabe que eles eram ruins? Eles fizeram algo de ruim com o pé direito, ou foi algo que parecia bom no momento?

Então, leia um outro filme e pergunte a si mesmo essas perguntas novamente. Então leia o outro e outro e outro e fazer essas mesmas perguntas. E continue lendo toda a sua vida e fazer perguntas.

Pouco a pouco, você vai aprender o processo.

ESCREVA

O passo final é escrever. Você não pode ser um escritor, se você não escrever, é simples assim. Eu escrevi dois romances completos e outro livro antes mesmo que eu tentei escrever The Notebook. Esses dois romances são inéditos, mas que me ensinou que eu não só gostava de escrever, mas que eu tinha em mim para terminar um romance, uma vez que eu comecei. Essas lições foram importantes quando me sentei para escrever The Notebook.

Eu escrevo cinco ou seis dias por semana, geralmente um mínimo de 2.000 palavras, às vezes mais. Esta seção do site, por exemplo, que levou cerca de quatro dias para escrever, é de cerca de 20.000 palavras. Quando terminar, eu vou começar a escrever outra coisa. Todas as pessoas que consideram a escrita como profissão escrever de forma consistente. Aqueles que consideram como um hobby normalmente não.

2000 palavras pode demorar de três a oito horas. (Eu adoro esses dias de três horas, pelo caminho, mas a minha média é provavelmente mais perto de cinco horas.) O tempo gasto escrevendo depende de uma série de fatores, incluindo o que estou escrevendo, se a cena é difícil ou fácil , etc Não importa o que, eu tento manter a consistência nos meus hábitos de trabalho. E eu estou sempre tentando melhorar, de tentar coisas novas, escrever uma nova história que é melhor do que qualquer outra coisa que eu escrevi.

E então? O que acharam das dicas? Para mais detalhes visite: nicholassparks.com (em inglês)
Neil Gaiman, autor de Coraline  e O Oceano no fim do caminho que, ao que parece, é um romance adulto. Eu já tive a oportunidade de ler Stardust e Coraline, ele tem um jeito muito simples e particular de escrever, sua técnica magnética o consagram com direito ao posto de um dos autores mais conceituados e inovadores da atualidade. Então, aí vão os oito mandamentos dele pra nós, amantes da escrita:


Inspirado pelas 10 regras de escrita de Elmore Leonard publicadas no The New York Times, o jornal britânico The Guardian pediu a alguns dos autores mais célebres da atualidade que compartilhassem com o público seus mandamentos de redação. Traduzimos as oito dicas de Neil Gaiman, o premiado autor de O oceano no fim do caminho. Vale tomar nota!


#1. Escreva.

#2 Escreva uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, escreva-a.

#3. Termine o que você está escrevendo. Faça o que for preciso para terminar, e termine.

#4. Coloque o texto de lado. Leia fingindo que você nunca leu antes. Mostre-o a amigos cuja opinião você respeita e que gostem daquele tipo de coisa.

#5. Lembre-se: quando as pessoas dizem que algo está errado ou não funciona para elas, estão quase sempre certas. Quando dizem exatamente o que você está fazendo de errado e como corrigir, estão quase sempre erradas.

#6. Corrija. Lembre que, mais cedo ou mais tarde, antes que o texto fique perfeito, você precisa seguir em frente e começar a escrever a próxima coisa. Perfeição é como perseguir o horizonte. Continue escrevendo.

#7. Ria de suas próprias piadas.

#8. A principal regra da escrita é que, se escrever com segurança e confiança suficientes, você pode fazer o que quiser. (Essa pode ser uma regra para a vida, assim como para a escrita.) Então, escreva a sua história como ela precisa ser escrita. Escreva-a com honestidade e conte-a da melhor forma que você puder. Eu não sei com certeza se existem outras regras. Pelo menos, não as que importem…

FONTE:http://www.intrinseca.com.br/site/2013/06/8-dicas-de-neil-gaiman/

[Livro] A Noiva do Cavaleiro - Margaret Moore

Título Original: Bride for a Knight
Série: The Knight's Prizes, 2
Ano: 2016
Páginas: 288
Autor: Margaret Moore

Sinopse: Ao ver o lado sensível do severo sir Roland de Dunborough, Mavis de DeLac se enche de esperança de que seu casamento arranjado será bem-sucedido. Quando a noite de núpcias é incendiada pelo desejo que sentem, ela ousa sonhar que a alegria durará para sempre. Contudo, Roland está convencido de que não poderia fazê-la feliz. E volta a ser o homem frio e distante de sempre. Porém, Mavis está determinada a provar que o marido não é uma pessoa amarga. E durante a viagem para proteger a herança de Roland, ela irá libertar o amor que esse nobre cavaleiro enterrou tão profundamente dentro de si.

Eu gosto muito desses romances históricos porque, apesar de o final ser totalmente previsível, o desenrolar não é, e quase sempre somos envolvidos nas tramas e nos lugares onde elas se passam de modo que nem nos importamos com a mesmice. Ainda assim, A Noiva do Cavaleiro não me despertou esse prazer todo de descobrir o que viria na próxima página.

A história gira em torno de Mavis, a filha de um lorde beberrão e sovina que perdeu a esposa cedo e, desde então, trata a filha muito mal indo desde maus tratos físicos a psicológicos. Ainda assim, ela estava decidida a nunca se dobrar diante dele e aceitar um casamento que não quisesse seguindo o exemplo da sua prima Tamsin que fugira para não ser forçada a casar com o terrível lorde de Dunborough chegando, inclusive, a matar seu filho mais velho para proteger aquele que escolhera como marido, irando assim seu tio que cuidara dela desde a morte da mãe. Mavis é muito próxima da prima tendo-a como uma irmã.

Do outro lado, temos Roland, o herdeiro de Dunborough que, tudo que deseja desesperadamente, é provar que não é tirano como seu pai e seu irmão foram. Agora que ambos estão mortos depois de uma visita a DeLack onde o pai deveria negociar o casamento da sobrinha do velho lorde, ele só precisa conseguir lidar com seu irmão gêmeo, Gerrard, que o odeia intensamente por acreditar que deveria ser o herdeiro do pai ao invés do irmão, mesmo o pai tendo dito em seu leito de morte que Roland era o filho mais velho. Assim, a animosidade se instala no condado de York onde a família de Dunborough é temida e odiada por causa dos maus modos dos falecidos pai e irmão mais velho de Roland e Gerrard, conhecidos por serem cruéis e desrespeitosos com as mulheres.

Quando vai tirar satisfações pela morte de seus parentes em DeLac, Roland não pode ignorar o fascínio que sente pela filha do problemático lorde, assim, aceita a proposta de casamento que ele faz e fica surpreso quando Mavis aceita seu pedido de ser sua esposa. Contudo, uma série de desentendidos tornará a jornada desse casal apaixonado muito mais complicada do que parece, se por um lado Mavis apaixonou-se pelo marido desde a primeira vez que o viu, não consegue entender porque ele age de maneira tão fria e distante como se receasse sua afeição. Enquanto que Roland, apesar de desejar fazer a esposa feliz não acredita que ela seja capaz de amá-lo pelo que ele é. Para piorar a situação, a nova lady de Dunborough precisará enfrentar as dificuldades de se casar com um homem odiado pelo seu povo e toda a região graças a crueldade do seu pai.

Apesar de não ter me despertado aquela paixão sem precedentes como geralmente acontece quando leio narrativas históricas, A Noiva do Cavaleiro tem sim seus muitos méritos ao colocar um protagonista que luta contra complexos e traumas psicológicos resultantes de uma criação violenta e sem afeto, mas cheia de humilhações. Em contrapartida, apesar da protagonista ser frágil, não faz o estereótipo de mulher boba e procriadora, Mavis é inteligente, determinada e não se permite intimidar nem mesmo pela parede que o marido ergueu entre eles. Contudo, mesmo apesar da boa construção de personagens, a história não me cativou, o desenrolar, para mim, não foi emocionante apesar de ser um livro realmente muito bom.

domingo, 20 de maio de 2018

[Escrita] Pesquisa | Prática X Inspiração | Programas úteis

Oie, pessoas!

Como estão? Espero que bem. Hoje, volto com mais um post da tag Escrita, feita especialmente para ajudar um pouco pessoas que gostam do universo e querem um norte por onde começar, dúvidas a serem sanadas e conselhos que eu posso dar de acordo com a minha própria experiência. Hoje a gente vai conversar um pouco sobre pesquisa, prática x inspiração a rotina de trabalho e eu vou falar de alguns programas úteis que ajudam muito na hora de escrever principalmente para quem estar lutando pela organização hahaha. Então vamos lá!

PESQUISA


Esse é um ponto importante para quem está escrevendo, principalmente se você vai falar de alguma coisa que não domina muito bem ou que domina parcialmente. Quando eu vou escrever, normalmente minhas histórias são situadas em lugares que eu nunca fui, como por exemplo Folhas Mortas que se passa em Albuquerque, no novo México e em São Francisco, a maior parte nesta última. Eu precisei me desdobrar com muita pesquisa sobre a cidade para poder escrever com o máximo de fidelidade possível, além de pesquisar um pouco sobre os costumes americanos (o que nos filmes procede e o que não), clima, enfim.

Quando eu estava escrevendo Dear Diary tive que assistir algumas aulas de química na internet, porque eu sempre fui péssima em química e a Ellen adorava a matéria. Então, a pesquisa é um ponto muito importante porque traz fidelidade à história, claro que você tem a liberdade de inventar, mas certas coisas carecem sim de fontes seguras sem contar que conhecimento nunca é demais! A gente acaba se inteirando de um monte de curiosidades legais! Para você ter ideia da importância desse tópico, no Nyah uma vez estava lendo uma história em que as personagens principais eram médicos que tinham na família um histórico de Leucemia, um a um eles iam adoecendo e morrendo e a história girava em torno desse drama familiar e de como cada um dos membros lidava com a perda e a doença de seu parente. A autora fez um trabalho de pesquisa tão perfeito em oncologia que o livro parecia ser o diário de uma pessoa que enfrentava a perda de alguém que amava ao mesmo tempo que temia também passar por aquilo.

A palavra chave é verossimilhança! Quanto mais eficiente for sua pesquisa, melhor. Imagine que sua personagem está caminhando por uma rua de Nova Iorque, mas você nunca foi a Nova Iorque! Qual o nome da rua? O que tem nela? Como é o movimento? E o clima, como está? Ou ainda, imagine que você quer escrever sua primeira história com um personagem irlandês, mas você não sabe nada da Irlanda. Que costumes eles tem? Como é a vida lá? E as paisagens? Do que sua personagem mais tem falta de lá? Pesquise lugares diferentes, atrações turísticas que renderiam uma boa cena, descubra a cultura interessante de outro país e imagine seus personagens nele. É uma ferramenta excelente e muito importante na construção do enredo. Para vocês terem uma ideia, eu passei uma semana lendo sobre coma e amnésia para escrever algumas cenas de Um Novo Começo, já pesquisei como atirar com uma arma, como suturar um ferimento, já precisei pesquisar sobre diversas doenças, venenos, e conheço gente que já pesquisou coisas ainda mais tenebrosas como, por exemplo, um autor do Nyah pesquisou como ocultar um cadáver! Mas tudo isso é válido para deixar nossa história mais bem elaborada, não? Então aposte nas pesquisas, sempre tendo o cuidado com a veracidade da fonte que você está lendo, faça anotações importantes, salve fotos para usar como referência, faça um tour no street view do google maps, enfim!

Quer um incentivo legal? Nora Roberts, conceituada escritora norte-americana e uma das maiores bestsellers do século XX tem medo de viajar, ela faz pesquisas sobre alguns lugares onde seus livros se ambientam no google maps. E através das fotos, se orienta para escrever. (não lembro onde li isso, mas lembro que fiquei bem surpresa).

Prática X Inspiração


Agora a gente vai conversar sobre a diferença entre prática e inspiração, também falarei sobre o conhecido - e temido - bloqueio criativo. Quem nunca, não é?

Para começar, escrever, como alguém já disse, "é 1% inspiração e 99% transpiração", não adianta usar aquela desculpa de "não tenho ânimo", "fugiram as ideias" ou "estou com bloqueio". A primeira coisa que você precisa ter em mente é que bloqueio criativo não existe. Tá, eu sei que isso é maluco, calma, vou explicar. O vencedor do prêmio Jabuti, Sidney Rocha, o pernambucano Cícero Belmar e o grande Stephen King são defensores dessa teoria, o que falta para o autor é PLANEJAMENTO e PRÁTICA, essa é a causa do bloqueio criativo, a frustração de não saber como continuar que acarreta a preguiça de escrever.

Stephen King e seu discípulo Neil Gaiman são a favor do "parágrafo diário", mesmo que você ache que fez uma total porcaria, deixe lá, o que vale realmente no exercício é você estabelecer uma meta de palavras diárias e cumpri-la todos os dias, estando ou não com vontade de escrever depois você vai lá e arruma, refaz. O mês nacional de escrever novela ou nanowrimo (National Novel Writing Month) é um desafio anual competente - e muito difícil - de escrever 50 mil palavras por mês, o equivalente a 1667 palavras por dia. O objetivo desse desafio é propor disciplina nos autores e você vai ver que essa disciplina  acaba de vez com essa desculpa do bloqueio criativo.

Para abrilhantar ainda mais esse post, leia Nesse link o post que eu fiz com as dicas de escrita desses autores pernambucanos premiados que são valiosíssimas e, se postas em prática, vão mudar totalmente o seu jeito de escrever! Vocês vão ver coisas que eu já disse aqui, mas que não custa revisar ;) imagine que a prática de escrever é como um jogo de videogame, você começa sem saber nada sobre a história, rodando porque não sabe onde o personagem tem que ir ou o que tem que fazer, mas pelo método tentativa e erro acaba avançando as fases e, conforme avança, vai descobrindo a história, do mesmo modo a prática da escrita flui, inicialmente é difícil conseguir cumprir as metas, elaborar o planejamento, forçar-se a escrever quando você queria estar na netflix, mas com o tempo e as "fases" passando, você vai percebendo que se torna mais fácil e, ainda mais, que o planejamento vai te livrando de um sufoco sem precedentes!

Então, nada de ficar enrolando aí, senta o traseiro na cadeira e vá escrever, chefe! U.U


ROTINA DE TRABALHO

É mais que importante ter uma rotina de trabalho. Como eu disse antes, grande parte do tal "bloqueio criativo" que tanta gente fala nada mais é que a falta de um bom planejamento e uma rotina de trabalho rígida.

Muita gente trabalha fora, mas isso não quer dizer que você não vai tirar um tempinho para trabalhar nos seus projetos. Estipule uma meta de palavras ou capítulos por dia e cumpra-as rigorosamente. mesmo que precise reescrever tudo depois, mas isso fará com que escrever se torne algo prazeroso, habitual e realmente levado a sério. É como exercício físico, de início é muito difícil, mas com o tempo se torna natural. É preciso ter em mente que, uma vez que você pretende levar o processo de escrever a sério, além de um simples hobby, você se compromete a cumprir prazos, dedicar-se inteiramente ao processo mesmo que isso te faça sacrificar algumas coisas às vezes. Portanto, nada de moleza e nem preguiça, trabalho é todo dia.

Eu, particularmente, escrevo todos os dias por uma a duas horas dependendo do que eu tenho para fazer. Mas me comprometo a escrever, pelo menos, duas mil palavras por dia. Então, veja de acordo com o seu horário e seus compromissos, quanto por dia você pode tirar para escrever e separe esse horário religiosamente para isso. Como dito no post 7 passos para a escrita do romance, use de aplicativos como o pomodoro para manter o foco no trabalho e desligue o celular, nada de ficar checando o whatsapp a cada minuto! U.U

PROGRAMAS ÚTEIS

Outra coisa muito legal que eu quero falar nesse post são programas muito legais que podem auxiliar na hora de trabalhar. Todo mundo conhece o word, é a ferramenta queridinha da maioria das pessoas que eu conheço, eu mesma só consigo usar ele para trabalhar, mas há muitos programas bons para organizar as histórias e até mesmo para escrever e vale a pena apresentá-los se não como uma ferramenta para escrever toda a história, mas pelo menos para organizá-la. Lembrando que é sempre bom manter um registro escrito da sua organização e do seu planejamento - nunca se sabe, né?- então, vamos lá.

SCRIVENER: Há quem diga que o srivener é a melhor ferramenta para se trabalhar, o programa mais completo para autores. Infelizmente ele não tem uma free version, você pode baixar o trial de 30 dias para teste ou pagar uma taxa (se não me engano é 90 ou 120 reais) e tê-lo para sempre. Eu baixei a versão trial para ver como era já que muita gente recomendava o programa e, particularmente, ele não funcionou comigo. Achei a ferramenta complicada de mexer e, além de tudo, pesado. Embora realmente seja um programa bem completo e se você tem um espaço sobrando muito no pc ou se tem um processador realmente rápido talvez valha a pena - os doramas não me permitem hehehe - não funcionou comigo, mas não significa que seja um programa ruim, a minha experiência com ele não foi boa, mas a sua pode ser diferente. O jeito é baixar e testar.

LIBRE OFFICE: Eu uso o libre office para converter os documentos em PDF, ao contrário de outros conversores online ele mantem a formatação que você colocar no word, como letras capitulares elaboradas, imagens e fontes mais exigentes. Apesar de ser bem parecido com o word, infelizmente no meu computador ele pesa um pouquinho, tornando meio devagar para carregar, mas é um pacote muito bom para se ter no pc, não conflitua com o office e é muito útil e fácil para converter os documentos para PDF.
Há uma amiga minha que só consegue trabalhar com ele, eu particularmente já estou tão acostumada com o word que realmente não consigo escrever em outro programa que não ele.


YWRITER: Eu descobri o ywriter em uma discussão no grupo do Nyah no facebook, ele foi muito bem recomendado e eu baixei para testar. O programa é bem leve, um excelente organizador para cenas, sinopses, personagens, realmente vale muito a pena baixar. O único contra que eu achei nele é que além de criar uma pasta para cada história você tem pouca liberdade para manipular e formatar. Então, eu o uso mais como um suporte organizador do que propriamente como uma ferramenta para trabalhar, embora haja quem prefira trabalhar com a dinâmica de deixar os capítulos divididos por cenas e tals. Não funciona comigo, mas é realmente excelente para organizar!


CALIBRE: Ao contrário dos anteriores, o Calibre não é para escrever, ele é um conversor completíssimo para documentos. Uso ele para converter meus arquivos em epub, mobi ou qualquer outro formato que eu precise. Ele é leve, rápido, fácil de usar e muito prático quando você precisa colocar livros no celular ou no tablet, eu realmente adoro esse programinha. Só não aconselho muito a conversão de word para PDF porque perde a formatação, mas para os outros formatos ele é ótimo!


JDARKROOM - Esse é para aquelas pessoas que tem problemas de concentração e vivem mexendo no facebook, twitter ou em qualquer outra coisa enquanto escreve! JDarkRoom é um editor de arquivo de texto popular, simples em tela cheia com nenhum dos sinos e assobios habituais que possam distraí-lo do trabalho na mão. Se você estiver escrevendo um discurso, novela, ensaio, tese ou só precisa ser capaz de se concentrar em sua escrita, então JDarkRoom pode ajudá-lo. Eu já usei esse aplicativo, ele é uma versão free do zenwriter, apesar de ser um aplicativo maravilhoso, o zenwriter é pago, se você pode pagar eu super recomendo, além de um design lindo ele vem com músicas bem zen para relaxar enquanto você trabalha! Vale a pena. Caso não, o Jdark pode ser uma opção mais em conta e com a mesma eficácia.

FOCUS WRITER - Essa é uma versão personalizável do programa anterior. FocusWriter é um programa de tela cheia, processador de texto livre de distrações projetado para mergulhá-lo, tanto quanto possível em seu trabalho. O programa salva automaticamente o seu progresso, e recarrega os últimos arquivos que você tinha aberto para tornar mais fácil para saltar de volta durante a sua próxima sessão de escrita, e tem muitas outras características que o tornam de tal forma que apenas uma coisa importa: sua escrita. Você pode personalizar a imagem de fundo e ele conta com algumas ferramentas a mais do que o Jdark. Então se o problema é concentração, acabou a desculpa!

É isso por enquanto, gente! Essa semana eu vou ficar um pouquinho ocupada, mas logo volto com a resenha de outro livro e com mais dicas de escrita pra vocês! Até a próxima!

segunda-feira, 14 de maio de 2018

[Escrita] Sinopse, Diálogos e Título

Olá, pessoas, continuando com essa série de posts sobre o processo de escrita hoje eu falar um pouco da construção do título, da sinopse, dos diálogos e da adequação da linguagem mais ou menos como eu construo. Lembrando que esses posts não são uma receita, são um caminho para ajudar pessoas que estão começando agora ou que não sabem como começar. O post de hoje é uma versão atualizada do que estava no meu blog, principalmente porque tenho visto a dificuldade da maioria dos autores que tenho analisado ultimamente com essas questões, vou procurar ser cuidadosa e espero que isso os ajude e, sobretudo, seja útil. Então, sem mais delongas, vamos nessa.

TÍTULO

Há quem diga que o título é a última coisa que o autor escolhe para a história, bem, eu sou o contrário disso, sem um título eu não consigo escrever, não consigo visualizar nada, então, o título é uma das primeiras coisas que  escolho, mesmo que  vá mudar depois, mas  preciso ter alguma coisa em que me pegar para decidir o rumo dos acontecimentos e o tipo de história com a qual estou mexendo. Isso pode parecer uma bobagem, mas é uma das partes que me dá mais trabalho de escolher, acho que é por isso também que  penso primeiro, porque é complicado você escolher um título que se encaixe perfeitamente com a história que você mentalizou, tenha em mente que o título é a primeira mensagem que o leitor vai ter da sua história, aquilo que vai chamar atenção primeiro e fazer com que ele tire o exemplar da estante para ler a sinopse.

Dependendo do tipo de história  eu escolho um título que enquadre o enredo todo, parcialmente ou que metaforize alguma coisa da história. Deixe-me exemplificar para que fique mais claro:
Sombras ao Sol e Avalanche são títulos metafóricos, eles não representam algo que acontece literalmente na história, é preciso ler e entender a metáfora por trás do título que pode ou não ser explicada no enredo.

Conto de Falhas e Um Novo Começo por exemplo já são títulos que cobrem todo o enredo, eles são parte constante das histórias que representam, no primeiro deixo claro que vou tratar de uma história cujos acontecimentos não vão ser dos mais felizes para sempre e no segundo uma história onde os personagens vão passar por provações e vão conseguir superar. São o que eu chamo de títulos chave.

Claro que cada um trabalha de uma forma, há autores que deixam para "batizar" o livro depois que termina, isso é de cada um, se  posso dar alguma dica para a escolha do título eu digo que escolha, de preferência, uma palavra ou uma pequena frase que passe a mensagem do seu enredo, do seu personagem principal ou que metaforize de alguma forma sua mensagem. A saga Crepúsculo é um exemplo ótimo de títulos metafóricos.

SINOPSE

Assim como o título dá ao leitor a primeira mensagem do livro, a sinopse se encarrega de terminar o trabalho, é ela que vai seduzir o leitor ao ponto de ele abrir o livro para descobrir o que acontece. e tal qual o título não é nada simples de fazer, pode ser tão desafiador quanto. Essa é uma verdade cruel, mas alguns editores e mesmo leitores leem apenas a sinopse da sua história para decidir se vão mergulhar no seu original ou não. Então, escrever uma sinopse que conduza o editor e o leitor para dentro do seu universo é um grande exercício e um momento sensível na construção da sua obra.

Ao contrário do que  faço com o título, eu só me preocupo com a sinopse se eu for postar a história em algum lugar, geralmente para livros eu deixo para escrevê-la quando está terminada. E, às vezes, levo horas fazendo, porque precisa ser sucinta, misteriosa, comovente e atraente o que não é mole de escrever. O objetivo principal da sinopse é resumir a sua história de uma forma atraente e para isso quase todo recurso é válido, usar uma parte do livro, mesclar uma frase do livro com um resumo, mas sobretudo, dizer POR QUE o leitor tem que levar aquele livro com ele.

Sinopses devem ter entre 100-200 palavras. Sinopses muito grandes podem dizer demasiado sobre a história e sinopses de duas frases podem não dizer o suficiente. Trata-se de saber que informação colocar e onde. Para isso, James Scott Bell dedicou um capítulo no seu livro: How to write Great Fiction: Plot & Structure onde coloca umas quantas questões e ainda um modelo.

Vamos abordar algumas questões/tópicos que todos os autores podem colocar antes de começar a escrever a sinopse, que ajudam a sintetizar na hora de escrever o texto. A sinopse modelo foi inventada para este artigo, seguindo os seguintes pontos:

– Personagem principal
– Onde a ação se passa
– Qual o objectivo da personagem principal OU
– O que preocupa a personagem principal
– Quem é o antagonista (não é obrigatório ser uma pessoa pode ser o conflito)
– A questão principal da história
– A frase final: o que é que eu quero que os meus leitores sintam ao ler o meu livro

A personagem principal é o normal, até podemos dar um bocado a conhecer da personagem se tiver algo a ver com a história, por exemplo:
Mariana era uma estudante pronta a entrar para o curso que sempre quis.

Sabemos o nome, o que a personagem faz e o que ela conseguiu até agora.
Numa cidade nova e longe de casa, Mariana tem dificuldades em fazer novos amigos. Até conhecer Pedro, o seu vizinho do lado que insiste em colocar música gótica todos os sábado às 8 da manhã.

Aqui temos um bocado de contexto, onde a acção se passa e conhecemos uma segunda personagem que vai dar origem ao conflito.
Pedro está a tentar passar à mesma cadeira há dois anos, mas quando uma rapariga lhe toca à porta para baixar o volume, Pedro encontra a sua oportunidade para passar às cadeiras que o estão a atrasar. Mariana só se apercebe que aceitou dar explicações a um rapaz mais velho que ela quando mais tarde ele toca à sua porta de casa. Agora só tem de se concentrar em não se perder naqueles olhos verdes e continuar a ter boas notas.

O autor decide mostrar o que vai originar o conflito e o rumo da história para o leitor saber o que esperar destas duas personagens.
Mas Pedro vai-lhe mostrar que há muito mais nesta vida que pensar só em notas e exames e mostra-lhe que a vida é para ser vivida e aproveitada.

O autor fala mais sobre o propósito da história, nos temas que poderão ser abordados. Contudo nem todas as plots mostram temas. Para os criadores da série de South Park uma forma de criar uma plot é dando uso às palavras mas ou portanto, criando assim uma reação entre partes da estrutura. O que pode ajudar na elaboração de uma sinopse pequena mesmo quando não temos a certeza se estamos a cumprir estes últimos pontos. Como se vê no texto, o autor hipotético utilizou a palavras “mas” para mostrar uma adversidade que as personagens poderão encontrar na história.

Um livro sobre o amor e de como duas pessoas tão distintas conseguem encontrar algo de bom em conjunto.
Esta última frase serve para falar mais um pouco sobre o objectivo da história para o leitor saber o tema principal ou até mesmo o gênero. O autor pode dizer que o seu livro é uma história divertida, bem-humorada como pode ser uma reflexão sobre o tema do amor, das relações pessoais e da importância da comunicação numa relação, tal como pode ser uma história sobre os estereótipos sofridos por parte das pessoas.

Convém ainda que a frase final não seja enigmática ou levante questões, mas que diga o tom se houver algo a acrescentar. Não convém deixar dúvidas ao leitor antes dele começar a ler o livro. O mistério e a quantidade de informação que omitimos ao leitor tem de ser faseada e não cair no extremo de despejar informação ou então esconder tanta que o leitor fique confuso em relação à história.

Aqui vai outro exemplo de sinopse bem construída:
Julieta Capuleto não tirou a própria vida. Ela foi assassinada pela pessoa em quem mais confiava, seu marido, Romeu Montecchio, que fez o sacrifício para assegurar sua imortalidade. Mas Romeu não imaginou que Julieta também teria vida eterna e se tornaria uma agente dos Embaixadores da Luz.
Por setecentos anos, Julieta lutou para preservar o amor e as vidas de inocentes, enquanto Romeu tinha por fim destruir o coração humano. (Julieta Imortal - Stacey Jay)

DIÁLOGOS

Diálogo não é fazer um personagem conversar com o outro!

Bem, chegamos ao ponto crítico do post. Essa eu acho que você ainda não sabia! Segundo André Vianco, escritor e roteirista brasileiro: "Um bom diálogo não é colocar seus personagens para conversar. Você precisa escolher uma boa caraterização para o seu personagem e será o caráter dele que o fará falar e agir na sua história."

Escrever diálogos é uma coisa complicada que faz com que sinopse e título pareçam brincadeira, isso porque não apenas precisamos inseri-los de maneira cabível no texto, mas como no tempo e na forma certa. Eu não me considero apta a falar disso, vou dizer aqui apenas o que eu acho e o que eu faço com eles.

A primeira coisa a fazer é saber como assinalar os parágrafos. Tem gente, principalmente em fanfic, que faz uma verdadeira rebelião! O correto é usar aspas /""/ ou travessão /—/ e essa coisa de usar aspas no diálogo é muito "estrangeira", li um livro da Paula Pimenta assim e detestei essa separação. Mas em alguns pontos ela é válida dependendo do contexto em que é encaixada e de qual voz é dada ao narrador da história.

Basicamente, o diálogo cumpre o objetivo de promover a interação entre as personagens, refletir sua personalidade e acrescentar aquilo que a narração não dá conta de acrescentar sozinha. Além de dar rumo ao enredo, fazer com que a história "ande". Se você alguma vez já leu algum diálogo de Platão sabe que é muito estranho ler um texto só formado por diálogos sem nenhum tipo de acréscimo, isso porque o diálogo é uma parte extra do enredo, mas cada autor é um autor. Basicamente há 3 tipos de diálogo, vamos conhecê-los:

Discurso direto: Esse é o que eu frequentemente uso, acho que é o mais comum, aquele cuja interação entre as personagens ocorre de forma prática e sem muitos rodeios;

— Ouça, não é o momento de revelar a verdade, apenas precisa confiar em mim, Anelliese.
— Confiar em você? Ora, não seja ridículo! 
— É a sua única chance.
— De que? Se eu gritar agora meu pai virá até aqui e antes mesmo do que pensa você estará morto!
— Vá por mim, não será a primeira vez.
— O que? — Ela ficou chocada.
— Vamos, não seja teimosa e me deixe leva-la para casa em segurança.
— Eu não preciso de você para nada, mantenha distancia de mim ou eu mesma mato você!

Discurso indireto: é definido como o registro da fala da personagem sob influência por parte do narrador. Nesse tipo de discurso, os tempos verbais são modificados para que haja entendimento quanto à pessoa que fala. Além disso, costuma-se citar o nome de quem proferiu a fala ou fazer algum tipo de referência. Neste tipo de discurso narrativo o narrador interfere na fala da personagem. Este conta aos leitores o que a personagem disse, no entanto o faz na 3ª pessoa. As palavras da personagem não são reproduzidas, e sim "traduzidas" na linguagem do narrador. Também é sem travessão. No fundo são apenas a junção dos dois modos verbais. A pessoa não pergunta de verdade, é o narrador que faz a pergunta com o nome do personagem.

"Dona Abigail sentou-se na cama, sobressaltada, acordou o marido e disse que havia sonhado que iria faltar feijão. Não era a primeira vez que esta cena ocorria. Dona Abigail consciente de seus afazeres de dona-de-casa vivia constantemente atormentada por pesadelos desse gênero. E de outros gêneros, quase todos alimentícios." (O sonho do feijão), Carlos Eduardo Novaes.

Discurso indireto livre: é uma modalidade de técnica narrativa, resultante da mistura dos discursos direto e indireto, sendo um processo de grande efeito estilístico.

Por meio dele, o narrador pode não apenas reproduzir indiretamente as falas dos personagens, mas também o que eles não dizem como pensamentos e sentimentos, além de poder incluir ideias do próprio narrador, trazendo ambiguidade e riqueza de sentido ao texto. Assim, o discurso indireto livre corresponde à fala ou ao monólogo interior dos personagens, porém expresso pelo narrador (característica do discurso indireto) e reproduzidos na forma como os personagens diriam (característica do discurso direto), podendo ou não conter juízo do narrador. Ocorre quando a fala do personagem se confunde com a narração, tanto no conteúdo, quanto na forma. Por isso, o comentário do personagem surge sem secção, isto é, sem estar claramente separado das palavras do narrador, ao contrário do que ocorre no discurso direto, por exemplo, no qual se utilizam travessão, dois pontos, aspas etc. Comumente, o discurso indireto livre aparece entremeado com o discurso indireto.

As orações do discurso indireto livre são, em regra, independentes, podendo ter ou não verbos bonitos de elocução (também chamados de verbos dicendi). Quando os possui, fica mais nítido que a frase não é do narrador, mas sim do personagem. Em geral, ele ocorre com foco narrativo em terceira pessoa, mas é possível o uso da primeira. Esse discurso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e ritmo que confere ao texto

"Aperto o copo na mão. Quando Lorena sacode a bola de vidro a neve sobe tão leve. Rodopia flutuante e depois vai caindo no telhado, na cerca e na menininha de capuz vermelho. Então ela sacode de novo. 'Assim tenho neve o ano inteiro'. Mas por que neve o ano inteiro? Onde é que tem neve aqui? Acha lindo a neve. Uma enjoada. Trinco a pedra de gelo nos dentes." (As Meninas), Lygia Fagundes Telles.

Se o enredo for bem trabalhado, os diálogos serão postos apenas como um adicional específico do enredo, para promover a interação dos personagens, para acentuar a personalidade ou vivificar uma determinada cena. Eu normalmente opto pelo discurso direto, isso varia bastante do tipo de narrador que você usa, um narrador em primeira pessoa - dependendo de quem seja - dificilmente saberá o que se passa na mente da outra personagem, ela pode deduzir apenas. É algo a que se deve estar bem atento. Para mim, é meio natural, eu sei quando devo colocar determinada parte na fala da personagem e determinada parte na narrativa. Há o cuidado de não colocar diálogos inúteis, deixar o personagem falar o que ele realmente precisa falar e não obrigatoriamente precisar falar alguma coisa sem necessidade.

— Por que você falou comigo? — Perguntou antes de ir embora.
— Você é minha parceira de química. — Sorri, mas vi uma tristeza em seu olhar que me fez sentir um imbecil. — E porque sempre te achei interessante. — Emendei imediatamente.
— Sempre? — Ela me lançou um olhar incrédulo. — Não achei que alguém me notasse.
— Pensei que você me odiava.
— Por que eu odiaria você? — Ela parecia confusa. — Você nunca me fez nada.
— Não sei, soa meio estranho… mas achava que você pensava que eu era um idiota.
— Bem, se te consola, não sou inteligente como você pensa. E sei que você é ótimo em matemática, o que já é muito para um capitão de futebol.

Esse é um diálogo de Dear Diary, é comum quando eu estou escrevendo colocar na fala da personagem aquilo que é pertinente dela e alguma observação do narrador depois, geralmente isso é uma emoção, um pensamento, um sentimento, algo do tipo. Como no caso acima a narração é em primeira pessoa, o narrador em questão só podia deduzir o que acontecia com a companheira de conversa como é visível nesse trecho: — Por que eu odiaria você? — Ela parecia confusa. — Você nunca me fez nada. Michael não tem certeza se ela está confusa, é uma dedução através da expressão facial dela. Ele só pode fazer conclusões sobre si mesmo.

— Ei, seu amigo de meia tigela! Fica fazendo sala para sua convidada e se esquece de mim não é?
— Oi, Hay! — Ele riu dando um beijo no seu rosto e tentando evitar a decepção pela partida de Nicole. — Desculpe... Eu tive que intervir antes de ela sair correndo. E no fim de tudo ela foi do mesmo jeito.
— Qual é a dela, hein? Parecia um animalzinho assustado, tão bonitinha! — Hayla falou em tom doce e animado.
— Não é? — Bella concordou lembrando-se do jeito retraído da amiga de Adam.
— Ela só... É muito tímida... Mas não existe pessoa mais incrível que a Nicole... Ela é... Fantástica!
— Hum... Tem alguém apaixonado! — Hayla riu dando uma leve cotovelada no amigo, mas com um pensamento de preocupação escondido no fundo da mente.
— Tá, fiquei enciumada agora! Eu era a pessoa mais incrível que você conhecia! — Bella falou em tom de brincadeira, fingindo indignação.
— O Alex não tem noção da sorte que tem e fica magoando a Nic com aquele ciúme doentio dele.
— Pelo visto, se o ciúme é de você ele tem sérias razões para se preocupar, não é? — Hayla riu. — Lindo, charmoso, cavalheiro e perdidamente apaixonado. Não sei quem tem mais sorte ele ou ela!

Isso é um diálogo de Avalanche. Nesse caso, a gente vê que a narração em terceira pessoa permite que o narrador diga não apenas o que os personagens falam, mas o que eles pensam. Nenhum deles fala mais que o necessário para a interação e para montar a cena. Essa coisa de diálogo é difícil, se algo não ficou claro perguntem. No vídeo abaixo, curtinho de apenas um minuto, o escritor Paulo Santoro dá umas dicas úteis para a construção de diálogos eficientes:


Recomendo fortemente esse do Ficçomos também! https://www.youtube.com/watch?v=Bk1tjeUqb2s

ADEQUAÇÃO DA LINGUAGEM

Chegamos ao último tópico do post e não menos importantes, é um tópico chave, pelo menos pra mim. Adequar a linguagem dos personagens é algo que eu julgo como muito pertinente em cada livro. Não que isso se use muito, mas eu acho uma jogada muito interessante não apenas para dar um quê na história, mas para gerar aquele clima de intimidade e ainda ajudar a melhorar nosso vocabulário.

Acho (veja que isso é uma opinião minha) que a personagem precisa se adaptar a época em que vive, e isso deve ser explicitado não somente na narração, mas nos diálogos também. Sempre que me deparo com uma ficção histórica em que as personagens falam como se estivessem no centro da cidade fico me perguntando que estranha fusão de séculos é aquela. Ninguém no século XVI falava "vamos dar uma voltinha". Isso é só um exemplo, okay?

Admito que exagerei um pouco quando escrevi Sleeping Beauty, a linguagem ficou um pouco inacessível e eu só senti isso quando minha mãe leu e não conseguia entender metade dos diálogos (rsrsrs) ou quando a filha de uma amiga da minha irmã disse que lia com um dicionário do lado. Claro que as palavras podem variar conforme são empregadas, mas eu costumo usar um dicionário para averiguar sempre as palavras "novas" antes de empregá-las.

 Princesa Aurora.  Ele se curvou.
 Príncipe Felipe.  Fiz uma reverência pronunciando as palavras com impessoalidade.
 Como tens passado?
 Bem, quanto a vós?
 Igualmente bem. É bom revê-la.
 Não há necessidade em forçar uma cortesia que não sente, alteza.  Esperei que minha voz não tivesse soado tão fria quanto  senti que soou.
 A que se refere?  Ele me fitou um pouco constrangido.
 Achas que sou tola?  Inquiri, um tanto irritada.  Posso ser demasiado jovem, mas sei muito bem quando me são indiferentes.
 Peço perdão se a ofendi, princesa.  Ele desculpou-se, mas senti pouca sinceridade em sua voz.
 Não há necessidade de desculpar-se, tampouco precisa redimir-se. Apenas una-se a quem de fato deseja sua companhia.

Esse é um dos diálogos mais simples do livro, mas vê como as palavras se adequam à época. Não pesquisei a fundo sobre isso, era mais pela leitura e pelos filmes mesmo, as pessoas dessa época tinham apreço pela leitura, eram de uma "cultura superior", e até mesmo  os menos favorecidos que eram próximos às elites, como serventes, tinham por tendência copiar os hábitos de fala dos mais cultos mesmo que não soubessem ler. O diálogo dos personagens, quando se adequa à época em que estão inseridos faz uma comunhão maior com quem lê porque torna mais fácil imergir naquele mundo, é o que eu sinto quando leio Jane Austen, consigo me transportar para o século XVIII, para o meio daquelas pessoas suaves e cujos conflitos ocultos eram limitados aos solilóquios e corações agitados. 

Como o post já ficou bem maior do que eu pensei, vou terminá-lo por aqui.

Até a próxima!

Referências:
http://www.todamateria.com.br/discurso-direto-indireto-e-indireto-livre/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%A1logo
https://virarapaginaeditora.wordpress.com/blog/ 

terça-feira, 8 de maio de 2018

[Escrita] Quem e como fala?

Olá, povo!

Como no último post eu falei dos elementos pré-texto hoje a gente vai aprofundar um pouco a questão dos personagens e falar um pouco sobre a voz -1ª, 2ª ou 3ª. Só lembrando que eu não sou nenhuma especialista nem nada, o que eu escrevo aqui é puramente minha própria experiência e algumas pesquisas de apoio que eu faço para os posts, okay? Então, vamos lá, pega um lanche que o post vai ficar grande!


OS PERSONAGENS

Para mim, uma das coisas mais difíceis é criar personagens. Isso porque não é simplesmente uma pessoa que faz uma ação, mas é a pessoa que vive aquilo que você idealizou e, como tal, ela precisa representar essa história, ter uma vida própria e uma personalidade que gere empatia - que é o mais difícil - ou pelo menos simpatia ao leitor. O mesmo acontece com os antagonistas que tem como intuito gerar o sentimento contrário. Esse despertar de sentimentos no leitor é o que eu acho mais complicado de reproduzir, porque criar um personagem marcante, que realmente faça ele sentir alguma coisa é especialmente complicado, por isso é necessário trabalhar os personagens com uma atenção especial.

Como eu mostrei no post passado, eu faço uma ficha do personagem bem simples, além de ser mais viável para mover na história caso eu precise rever algum detalhe, eu vou ter sempre em mãos um esboço prático de quem é o meu personagem. Bem no comecinho eu criava apenas criaturas sem muita vontade própria que se moviam conforme o acontecimento ou conforme eu agiria no seu lugar. O primeiro personagem que eu criei realmente alheio a mim mesma foi a Anelliese de Free e incrivelmente em 2012! Ela é um personagem que se move de acordo com a sua vontade, toma suas próprias decisões sem que eu a manipule, eu sei quem ela é e durante todo o processo de criação eu podia saber o que ela faria a cada acontecimento e que caminho ela escolheria independente da minha própria vontade, mas eu levei anos para conseguir isso (Considerando que eu comecei a escrever com 7 anos) e decorreu de muita prática e leitura constante.

O primeiro passo é você ver como os personagens dos livros que você mais gosta se movem, como eles vivem as histórias que você queria viver, o que eles tem que você precisa criar. O processo de escrever é, como disse Austen Kleon: "roubar uma ideia e torná-la algo inédito à sua própria maneira." O segundo passo é entender que o seu personagem, apesar de uma criação sua, é uma pessoa totalmente desvinculada de você, ele tem seu próprio pensamento e sua própria maneira de agir, é um ser independente. No momento que você puser isso em mente vai perceber o processo de criar uma personagem com outros olhos. Vejam que eu nunca disse que seria fácil, só disse o que eu faço. Isso requer muita prática e o velho método de tentativa e erro.

Vejam um exemplo de uma ficha de personagem minha preenchida:

Livro: ROMEO
Nome: Juliane Simons
Data de Nascimento: 1985/10/17 (23 anos)
Data de Transformação: -
Local de origem: Tennessee
Cor do Cabelo: Ruivo
Cor dos Olhos: Azuis
Altura: 1,67
Descrição Física: Magra, longos cabelos ondulados que descem até mais ou menos a linha da cintura, o rosto é arrendondado com olhos grandes e expressivos, lábios cheios e boca pequena. O nariz é relativamente afinado conferindo ao rosto um aspecto delicado e, ao mesmo tempo, levemente atrevido. As sobrancelhas são arqueadas e os cílios longos.
Habilidades especiais: -
Educação/Ocupação: Formou-se em literatura na Universidade de Harvard. É professora.
Hobbies: Ler
Veículo: -
Relacionamento de família/clã:É filha de Fabian Simons, que foi assassinada quando Julie ainda era criança, e Patrick James. Mora com a companheira de faculdade e melhor amiga Judith Scott.
História Pessoal: Julie nasceu em Unsun (cidade fictícia) no Tennessee, filha de uma artesã e um advogado. Aos oito anos encontrou a mãe morta sob uma poça de sangue na cozinha de casa, o pai entregou-a para uma tia em Chicago, apesar do que aconteceu ela nunca questionou o passado e cresceu detestando o pai que sequer ligava para o que acontecia com ela. Formou-se em literatura na universidade de Harvard onde conheceu Judith Scott, uma inglesa cheia de vida que convidou-a para dividir o apartamento. Quando recebeu a notícia do acidente do pai com possibilidade de morte, Julie viaja para Unsun e dessa vez, diante das perseguições e mistérios que rondam a cidade, ela se propõe a descobrir o que esconde por trás da morte da mãe.
Julie é uma personagem obstinada, meio teimosa e que convive com um medo muito grande de que pessoas se machuquem por sua causa por isso vive superprotegendo todos à sua volta. É um pouco indecisa e tem o péssimo hábito de achar que pode fazer tudo sozinha.

Há várias listas de personagem na internet, essa que eu uso é uma simplificação de uma que achei sem querer nas minhas pesquisas. Recomendo essa outra aqui clique aqui. Vocês podem pesquisar por outras caso essas não supram suas necessidades.

Dá para ver que é um resumo bem sucinto da personagem, a personalidade dela é algo que se molda na minha mente e nos meus dedos conforme eu vou colocando-a no meio dos acontecimentos. Mas eu sei quem ela é, o que ela faria ou fará em cada situação e isso me possibilita movê-la de acordo com a vontade dela, mas isso requereu muita prática e livros e mais livros de tentativas meio frustradas. Como mencionei, um exercício muito bom é escrever com um personagem do sexo oposto. A primeira vez que eu fiz isso foi na também saga Free, com o par de Anelliese, Ferdinan, que tinha voz no enredo, quando você dá voz à uma personagem com sexo oposto ao seu consegue desprender-se um pouco de si mesmo porque sabe que o outro sexo não agirá do mesmo modo que você, ele tem ações e pensamentos diferentes do seu gênero. Uma das minhas missões mais recentes com esse tipo de linguagem mista foi em Powerfull que escrevi como co-autora. Eu era responsável pela voz de Matt e Sharon meu casal na trama de 6 personagens. Acompanhe um trecho diferencial de vozes para ambos:
Maldito pneu! Justo agora tinha que estourar? Pensei enquanto permanecia na cadeira do fundo do ônibus desfrutando das músicas nos meus fones de ouvido. Em uma das poltronas do meio, estava ela. Jessica Mountbatten. Ela estava a viagem toda dando olhadas não muito amigáveis na minha direção, provavelmente nossos santos não se comunicaram muito bem à primeira vista, por mais que eu tentasse ignorá-la para manter a calma ela insistia. Aquilo definitivamente não ia prestar. Ela era demasiado bonita, os cabelos castanhos longos ondulados nas pontas, o rosto típico de uma patricinha americana, mas até que era estilosa, menos mal. Aquilo diminuía minha vontade de vomitar. A nossa chegada ao instituto provavelmente atrasaria em meia hora ou mais, decidi tomar um pouco de ar como a maioria dos esquisitões dentro do ônibus estava fazendo. Havíamos parado em uma estrada de Londres, de um lado floresta e do outro... Bem, do outro também. Era ladeada por enormes árvores e depressões, eu tinha de admitir que era um lugar lindo.
Para minha sorte todos ali eram um conjunto de nerds com QI acima de 190, então não haveria bullying por conta de diferenças intelectuais, em contra partida, talvez as nossas discussões pudessem ser mais interessantes se contarmos com o ponto de vista de todos nós podermos fazer algo que a maioria das pessoas não pode. Enquanto eu observava a paisagem e tentava me concentrar na pureza do oxigênio que invadia minhas narinas ele se aproximou. Nome, Mathew Iron. Habilidade: velocidade sobre humana. Não era o tipo de pessoa com a qual eu me relacionava, na verdade eu não me relacionava com ninguém – Careta. - ele era bonito, os cabelos castanhos levemente desalinhados, usava óculos, o que eu admitia achar um charme, um rosto afilado e era de certa forma forte, mas não o bastante para parecer um armário com pernas. (Sharon)
 Sharon é uma personagem meio arrogante, totalmente geniosa, antissocial e introvertida. Ela tem uma segurança exagerada de si mesma por causa de todos os impactos que sofreu no passado. Ela foi uma criação minha para a história, assim como o Matt foi a criação de um leitor cuja personalidade eu moldei de acordo com a ficha que ele enviou (era uma fic interativa). Então veja um dos diálogos dele:
Foi tudo tão rápido, quando pisquei os olhos Sharon e Jessica estavam suspensas no ar em uma briga para garoto nenhum colocar defeito ambas eram absurdamente poderosas e eu fiquei ainda mais perplexo e encantado por aquela loira marrenta. Calleb e Carl levaram Jessica para o ônibus, aparentemente ela não estava ferida, mas ainda estava desacordada. Não demorou muito mais que vinte minutos para que o pneu fosse trocado e continuássemos nossa viagem rumo ao instituto, Sharon ainda permanecia no mesmo lugar ouvindo músicas pelo fone e com os olhos fechados como se não tivesse acontecido absolutamente nada.
Eu observava os demais dentro do ônibus, Calleb dormia a maior parte do tempo, Lauren permanecia quieta, mas eu deduzi que não havia uma só gotícula de suor que seus belíssimos olhos não estivessem vendo, Andrew era um prolixo nato e pelo pouco que pude observar de Jessica ela era muito simpática e ativa, o que eu não conseguia entender era o que ela tinha contra a Sharon, eu observei a garota o caminho inteiro, ela não deu uma única palavra com ninguém, ficava parecendo uma estátua olhando pela janela enquanto ouvia sabe-se Deus o que. De qualquer forma a convivência entre nós estava prometendo! (Matt)
Conseguem perceber a diferença de linguagem entre eles? O modo como falam e pensam é diferente e de acordo com a personalidade deles. Matt é mais alegre e ativo que Sharon, por ter tido um passado relativamente melhor que o dela seu comportamento é como o de um garoto normal, sociável, cheio de energia e feromônios. Mover essa diferença entre os personagens é um desafio que precisa ser praticado diariamente. Na época que escrevi essa fanfic com a outra menina ainda estava aprendendo sobre essas coisas, se você olhar minhas histórias hoje vai ver uma drástica evolução, ainda assim, estou sempre aprendendo.

Exercício:

  • Considere a seguinte situação: 
Não via as horas. O tempo  parecia ter deixado de existir ou se resumido naquela existência de exatidão. O relógio deixou de ser importante, não ligava mais para o minuto seguinte. Não doía mais. O mundo se resumia em um montante de palavras que se assomavam na folha branca, a letra garranchada tentando acompanhar o pensamento. Inútil. Não existia pressão, não havia os desejos ou as expectativas de outrem, só as folhas, só as palavras, só seus inseparáveis amigos silenciosos que falavam com o íntimo do seus pensamentos.

O mundo finalmente alinhou-se aos seus sonhos, tornou-se tinta, imprimiu seu mundo, protegeu seu coração. Em um canto da mesa as cartas ainda por abrir, a foto solitária no porta-retrato de vidro e a imaginação que voava solta pelas paredes do quarto branco, simples, sem detalhes demais, tranquilo como seu espírito. Todos os seus medos abrigaram-se do lado de fora da porta de ferro, assim como as pessoas. Os estranhos ali não lhe notavam e os que o faziam não lhe apontavam dedos críticos, não exigiam suas expectativas frustradas, não lhe tratavam como um objeto defeituoso. Para eles, ela era uma pessoa; para ela, no âmago do seu ser escondida na paz da alcova alva, uma criadora.

As palavras eram suas ferramentas, a folha o alicerce de sua construção, o seu mundo, o seu eu. Eram um só, ela e as palavras, naquele mundo de loucos que precisava de abrigo, naquele lugar onde as esperanças pareciam perdidas, naquele campo branco de bonecas feridas, ela encontrara o descanso para seu espírito, a liberdade para suas palavras, a quietude para seu coração, a calma para sua doe, a segurança para os seus medos.

E na clínica de bonecas, com damas de branco e almas dolorosas, uma nova história acabava de ser criada.
  • Reescreva a passagem na voz de um garoto em 1ª pessoa e de uma garota também em 1ª pessoa. Dependendo do seu gênero você vai ver que não é tão fácil quanto pensa principalmente considerando esse enredo incompleto. Mas imagine o que há por trás disso. 

QUEM CONTA A HISTÓRIA?

Criar personagens não é o pior dilema de quem vai escrever uma história, mas é um decidir quem vai contá-la é outra coisa que gera problema. Não dá para dizer qual das vozes é a mais adequada, há coisas que você precisa pesar para decidir em que pessoa contar sua história. Há autores que não conseguem, sob nenhuma hipótese, narrar em 1ª pessoa e outros em 3ª isso varia muito do que te deixa confortável e do que você quer dizer. Particularmente, eu narro dos dois jeitos, normalmente é a história que me pede uma voz ou outra, eu a trabalho inicialmente dos dois jeitos e vejo qual fica mais de acordo com o que eu quero dizer. Para clarear um pouco mais, vamos fazer uma comparação entre as vozes nos aspectos gerais.

Primeira-pessoa (eu)

O narrador é um personagem participante da história. Esse narrador, que pode ou não ser o protagonista, compartilha seus pensamentos e emoções durante a história, mas não conhece (e portanto não pode compartilhar) os pensamentos e emoções de outros personagens. A narrativa na primeira-pessoa aprofunda o conhecimento do leitor sobre o personagem-narrador, já que mostra muito sobre sua personalidade através da forma como ele escolhe narrar os acontecimentos do enredo. Suas falas ganham um status de autenticidade, já que não existe um narrador anônimo intermediando o contato do leitor com o personagem. O foco da narrativa na primeira-pessoa é influenciar o leitor a interpretar a história a partir do ponto de vista deste personagem.
Dom Casmurro, Crepúsculo, O Morro dos Ventos Uivantes e O Pequeno Príncipe usam esse tipo de narrador.

Segunda-pessoa (você)

O narrador reconhece a existência do leitor referindo-se a ele diretamente ou mesmo o tratando como um personagem que deve aceitar seu papel na história passivamente. O foco da narrativa na segunda-pessoa é permitir que o leitor se sinta fazendo parte da história, diminuindo a distância entre ele e o narrador.
Pode-se dizer que As Vantagens de ser Invisível usa esse tipo de narração uma vez que nos sentimos o amigo de Charlie.

Terceira-pessoa (ele)

Nesse ponto de vista, o narrador não participa da história. Ao invés de um personagem, é o próprio escritor quem está contando a história para o leitor. O escritor não precisa se limitar a narrar a partir do ponto de vista de um único personagem e pode mostrar diferentes percepções sobre os acontecimentos do enredo ao longo do texto. O narrador na terceira-pessoa pode ser seletivo (quando expressa onisciência em relação a apenas um personagem) e múltiplo (quando expressa onisciência em relação a vários personagens). O grau de conhecimento que o narrador expressa sobre os personagens pode variar entre neutro (conta a história sem fazer comentários sobre o que está narrando) e instruso (quando além de narrar, ele também comenta o que pensa sobre os acontecimentos do enredo e as emoções e pensamentos dos personagens). O foco da narrativa na terceira-pessoa é permitir que o leitor tenha uma visão mais plural da história. Ela nos dá mais flexibilidade para entrar e sair da mente dos personagens, para narrar detalhes da história de uma forma mais criativa.
Os Instrumentos Mortais, Fallen, Sussurro e Alice no País das Maravilhas adotam esse estilo narrativo.

Ponto de vista alternado

Alguns escritores optam por narrar na terceira e na primeira pessoa em uma única história, alternando entre um narrador onisciente, mais distante, e um narrador-personagem, mais próximo. Outros escritores usam apenas a narrativa na primeira pessoa, alternando entre dois ou mais personagens-narradores. O foco da narrativa de ponto de vista alternado é permitir ao leitor tomar contato com a história a partir de diferentes pontos de vista e compará-los para tirar suas próprias conclusões sobre o que está sendo narrado.
Dezenove Luas, Entre o Agora e o Nunca são exemplos de livro com esse tipo de narrativa. Harlan Coben é um escritor que utiliza muito o tipo alternante entre primeira e terceira pessoa.


Quando eu escrevi Sombras ao Sol, achei que limitar a história na visão de Sofia seria ideal para o enredo que eu imaginei, do mesmo modo que, quando escrevi Dear Diary alternei a narração entre os dois personagens como forma de demonstrar o universo de cada um como uma maneira de aproximá-los do leitor e justificar suas atitudes, eles não sabiam porque o outro agia de tal maneira, mas o leitor tinha esse conhecimento e, dessa forma, podia acompanhar como cada uma das personagens se descobria. Já para Folhas Mortas eu utilizei uma alternância em terceira pessoa predominante com enxertos de primeira pessoa, porque a história me permitia essa alternância. Para escrever Avalanche e Dragão Azul eu utilizei a terceira pessoa porque a onisciência do narrador cairia melhor com o tipo de enredo que eu me propus. Pode parecer uma besteira, mas escolher a voz com que contamos a história faz toda a diferença na composição final do livro.


Então, até a próxima!

quinta-feira, 3 de maio de 2018

[Livro] Reconstruindo Amélia e a construção de um enredo eficaz!

Título Original: Reconstructing Amelia
Autor: Kimberly McCreight
Ano: 2014
Páginas: 352 (físico) 600 (ebook)
Gênero: Drama, Thriller, mistério, investigação, suspense

Sinopse: Kate Baron, uma bem-sucedida advo­gada, está no meio de uma das reuniões mais importantes de sua carreira quando recebe um telefonema. Sua filha, Amelia, foi suspensa por três dias do Grace Hall, o exclusivo colégio particular onde estuda. Como isso foi acontecer? O que sua sensata e inteligente filha de 15 anos poderia ter feito de errado para merecer a punição?
Sua incredulidade, no entanto, vai aos poucos se transformando em pavor ao deparar, no caminho para o colégio, com um carro de bombeiros, uma dúzia de policiais e uma ambulância com as luzes desligadas e portas fechadas.
Amelia está morta.
Aparentemente incapaz de lidar com a suspensão, a garota subiu no telhado e se jogou. O atraso de Kate para chegar a Grace Hall foi tempo suficiente para o suicídio. Pelo menos essa é a versão do colégio e da polícia.
Em choque, Kate tenta compreender por que Amelia decidiu pôr fim à própria vida. Por tantos anos, as duas sempre estiveram unidas para enfrentar qualquer problema. Por que aquele ato impulsivo agora?
Suas convicções sobre a tragédia e a pró­pria filha estão prestes a mudar quan­do, pouco tempo depois do funeral, ela recebe uma mensagem de texto no celular:
Amelia não pulou.
Alternando a história de Kate com registros do blog, e-mails e posts no Fa­cebook da filha, Reconstruindo Amelia é um thriller empolgante que vai surpreender o leitor até a última página.

Olá, pessoas!

Concluí a leitura desse livro ontem e não tinha como não recomendá-lo principalmente aqui, um espaço para escritores em busca de aperfeiçoamento. Reconstruindo Amélia é uma verdadeira escola de como construir um enredo envolto em suspense dando pistas de maneira dosada para que o leitor monte suas próprias indagações, mas no fim seja pego totalmente de surpresa.

A história é alternada entre Amélia e Kate, sua mãe, além de contar com mensagens de celular e posts no facebook. Cada um desses elementos vai montando um complicado quebra-cabeças que a cada página fica mais intrigante. De um lado temos Kate, uma advogada que foi mãe muito jovem, tem pais muito insensíveis e distantes (principalmente a mãe monstruosa e assustadora dela!), mas faz o impossível para ser a melhor mãe que pode para sua filha Amélia. Contudo, é daquelas que acha que precisa trabalhar muito para compensar mais financeiramente que afetivamente a filha, e mesmo que se esforce para passar mais tempo com Amélia, na minha concepção Kate foi sim muito negligente.

De outro, temos Amélia, a adolescente modelo, estudiosa, inteligentíssima, linda sonhava ser escritora. Inicialmente, sabemos pelo ponto de vista de Kate que Amélia caiu do telhado da escola, aparentemente um suicídio uma vez que a palavra "perdão" fora escrita na parede. No desenrolar da história com os pontos de vista de Amélia e as mensagens, vamos descobrindo sua relação com Ben, um garoto gay que ela conheceu online e nunca se viram, com Sylvia sua melhor amiga egocêntrica e carente, a complicada e afetuosa relação com a mãe e a entrada em um dos clubes secretos da escola, as magpies.

Assim como Sylvia, Amélia achava idiotice a ideia dos grupos até ser convidada para entrar em um deles, só de meninas as magpies eram o clube mais cobiçado da Grace Hall e o mais perigoso. O sentimento de exclusividade que o convite despertou a fez aceitar o primeiro desafio para entrar, a figura de Dylan Crosby garantiu sua permanência. Mesmo sendo contra os critérios de seleção e as provas impostas pelas magpies, Amélia se sujeita a tudo por causa de Dylan que parece enxergá-la de maneira especial e, com isso, vai descobrindo sua sexualidade lentamente, mas por mais que tente se abrir, parece que Kate nunca tem tempo para ouvi-la.

Em contrapartida, no presente, Kate tenta de todos os modos entender a atitude da filha, até que uma mensagem anônima muda tudo: Amélia não pulou. Desesperada para descobrir a verdade ela vai atrás de ajuda e envereda pela vida de uma filha que ela pensou conhecer, mas de cuja a vida nada sabia. Quanto mais adentra no mistério que envolve Amélia e seu trágico fim, segredos do seu passado ressurgem trazendo a tona a perigosa relação da filha com o clube de Grace Hall, a negligência por parte da escola e a manipulação do conselho de pais. 

Para quem gosta de escrever com POV's esse livro é essencial uma vez que ele faz esse trabalho de maneira muito eficiente, não apenas alternando os pontos de vista, mas a voz narrativa também que oscila entre primeira pessoa, para Amélie e terceira pessoa para Kate. Além disso, durante a leitura vai-se construindo um mistério em torno da morte da personagem, mas as pistas são muito sutis e cada novo gancho deixa o leitor mais ávido por descobrir a verdade, quando escrevemos um livro, a grande pergunta ou o grande problema desse livro precisa ir sendo desenvolvido aos poucos, nós que escrevemos sabemos o ponto final da história, mas não podemos deixar isso óbvio para o nosso leitor, ele precisa ir montando as peças junto com a personagem, o processo precisa prendê-lo até o final.

Outra coisa muito válida nesse livro é o uso do coloquialismo e a construção de diálogos. As passagens no facebook e nos SMS de Amélia são bem de acordo com as de adolescentes na internet, assim como alguns dos diálogos usados entre eles, mas a autora dosa muito bem isso para que o texto não fique simplório, mesmo as narrações de Amélia sendo em primeira pessoa, ela é fluida, bem escrita e mostra muito o caráter da personagem. Quem planeja se aventurar na escrita de um thriller psicológico, esse livro é o modelo ideal! 

[Escrita] Um pouco sobre o início do processo de escrita

Olá, pessoal! 

Essa é uma série de posts que estava no meu blog, mas acho muito válido trazer para cá porque pode ajudar alguns a melhorar a criação literária. Eu não tenho cem por centro de autoridade no assunto, mesmo sendo licenciada em letras, mas estou sempre estudando sobre o assunto e vou dividir aqui o pouquinho que eu sei para ajudar pessoas que estão começando agora.

Então, hoje vamos conversar um pouco sobre o processo de escrever, indo desde o comecinho. Vale salientar que esse processo é maleável, muda de autor para autor e cada um se adapta ao modo como acha melhor e como dá no seu tempo. Os posts da tag #Escrita vão ser feitos esporadicamente conforme a minha agenda permitir e novos assuntos surgirem!

Primeiro a gente vai conversar um pouco sobre os primeiros passos que antecedem a escrita do livro, o primordial deles, é ler [risos]. Se a gente prestar atenção, 80% dos problemas de ortografia podem ser sanados com a leitura constante, por exemplo, peguemos a palavra assado. Eu sei que essa palavra é escrita com /ss/ e não com /ç/, mas não porque eu conheço a regra que explica isso e sim porque eu já li tanto a palavra que ela se fixou no meu inconsciente, do mesmo modo acontece com outras palavras como flecha, ansiedade, assíduo, vaso e outras mais complicadas como esdrúxulo, empedernido e execrável. Muitos dos meus iniciais problemas com acentuação também foram sanados pela leitura, não porque eu tenha decorado todas as regras que regem as oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, mas porque a leitura me deixou habituadas a elas.

Bem, para começar vamos falar um pouco sobre o tema. Sempre há aquele tema com o qual a gente se identifica, mas vale ressaltar que é sempre bom tentar se aventurar por outros temas, por exemplo, eu não sei mesmo escrever histórias do gênero sobrenatural, com vampiros, lobisomens, essas coisas, mas eu já tentei e concluí livros com esses temas. Não é algo que você tenha que se prender, por exemplo "Vou fazer um romance", até porque toda história é, de alguma forma, híbrida. Sempre vai ter aquele elemento que traz tua obra para um gênero e para outro. Mas ter em mente um tema é um primeiro passo para começar. Decidido sobre o que queremos escrever, pensamos então nas personagens, quem vai viver essa história por nós? Pensar nas personagens exige certo trabalho à parte, é muito difícil nos deligarmos de nós mesmos para dar vida a elas, e isso é muito importante, a menos que seja uma biografia precisa-se ter em mente que a personagem é uma espécie de "ser vivo", ela tem opinião, caráter, atitudes distintos dos nossos, então vale a pena ressaltar que as personagens:
  • Parecem reais, tem uma cadência própria;
  • Conversam com você, ou seja, você troca ideias com elas;
  • Têm sua própria personalidade e tomas as próprias atitudes;
  • Seguem um caminho com várias possibilidades de escolha que determinam seu desfecho.
Montar bem a personalidade da personagem com quem vamos trabalhar é importante para saber que caminho ela escolheria de acordo com as escolhas que ela faria e qual desfecho esse caminho vai levar. Criar alguém completamente alheio à nós é muito difícil, pelo menos para mim é, muitas das coisas que alguns dos meus personagens iniciais faziam era exatamente o que eu faria, agora com o exercício constante é que estou tentando mudar isso, dar a eles uma vitalidade, um espaço próprio. Uma dica muito útil para se desprender do personagem é criar um com o sexo oposto ao seu. O exercício de pensar como um homem ou uma mulher faz com que você comece a medir as atitudes da personagem de acordo com ela mesma e não com o que você é. Eu adotei uma medida chamada Caderno de Fichas para as minhas personagens, nela eu os organizo por história e fica mais fácil quando eu escrevo mais de uma história ao mesmo tempo e esqueço alguma característica daquela personagem. Segue o modelo:
  1. Livro
  2. Nome
  3. Data de nascimento
  4. Data de transformação (se houver)
  5. Local de Origem
  6. Cor dos Olhos
  7. Cor dos Cabelos
  8. Altura
  9. Descrição Física
  10. Habilidades especiais
  11. Educação/ocupação
  12. Hobbies
  13. Família/clã
  14. História pessoal
Isso ajuda a deixar as personagens organizadas e me ajuda a ter controle sobre elas quando estou escrevendo mais de uma história para não cometer nenhuma "gafe", sem contar que saber tudo isso da sua personagem também vai fazendo você se separar um pouco dela, você vai imaginando-a de uma forma mais longe de você, com uma luz própria e ela vai nascendo devagar conforme a ficha vai sendo preenchida. Vai se tornando mais real.

Outro ponto é o famoso outline, que eu raramente faço embora todo mundo alegue que é fundamental para quem escreve. Eu costumo fazer esses resumos para histórias que eu ainda não vou escrever, que vão ficar "na gaveta" até eu ter um tempo, para isso eu tenho um caderno para anotar, o chamado "Caderno de ideias" que você certamente deve ou deveria ter. Nele você pode anotar ideias para histórias, diálogos, cenas, etc. O outline seria mais ou menos um resumo detalhado de toda história, um esqueleto do que vai acontecer no enredo, sabendo o que acontece do início ao fim do livro, como um resumão, existem vários autores que planejam seus livros inteiros. Ou seja, fazem uma outline da história e só depois começam a escrever cena a cena, capitulo a capítulo. E existem aqueles que simplesmente começam com um personagem ou uma situação e vão descobrindo a história conforme vão escrevendo. É claro que existem também aqueles que usam um meio termo. Aqueles que planejam algumas partes ou começam sabendo apenas aonde querem chegar, mas não os detalhes do trajeto. Se você é autor iniciante, eu recomendo fortemente que escreva uma outline para seu livro.

Eu faço mais parte do segundo e terceiro grupo. Muitas vezes, uma única palavra me da a ideia de uma história inteira e eu simplesmente sento e escrevo para ver onde vai dar. Outras vezes eu sei onde a história vai terminar, então vou escrevendo e vendo o que acontece até chegar ali. São raras as vezes que eu faço uma outline, mas isso funciona pra mim, há pessoas que não saem do primeiro capítulo se não souberem com precisão, o que vai acontecer. Como eu disse, o processo é variável de autor para autor. Olhando por um ângulo, ter uma outline é positivo para o caso de acontecer o que eu chamo de "enredo trancado" que é quando você chega em um momento que não sabe o que vai acontecer com o personagem, o que ele vai fazer, o que vem a seguir, mais ou menos quando a gente tranca um jogo de dominó. Com a outline poderia se ver um meio de desbloquear a história. Ainda assim, sou daquelas que acha que se eu sei quem é minha personagem e o que ela faria em tal situação, sei o que eu devo fazer com ela. Porém, há certas histórias que eu realmente tenho necessidade de escrever uma outline porque ela me pede isso, vão acontecer processos mais complexos dos quais eu preciso de um controle de apoio, mas isso é bem raro.

Por fim, para fechar o post de hoje, quero salientar a importância da leitura no processo. Todo bom escritor é, antes de mais nada, um ávido leitor. Não há saída. E não digo ler só o seu gênero, mas espalhar-se para todos os gêneros possíveis! Particularmente eu procuro ler sempre de tudo um pouco, mas não consigo ler literatura erótica por escolha minha mesmo. Acho que nunca li um livro desse gênero propriamente dito e não sinto curiosidade, porque não acho que ele vá me acrescentar nada no que diz respeito ao meu próprio gênero. Mas isso é uma opinião minha, não tenho nada contra quem lê ou escreve esse tipo de livro. Outra coisa importante para dizer é que nenhuma história é "pura", sempre, independentemente de quão original ela seja, vai ter algo influenciado por outras histórias, nós pegamos o nosso universo e o quebramos em características, nossos livros são as modificações dos fragmentos dessas características, então nenhuma história nasce sem nenhuma influência, portanto, nenhuma história é "pura" embora todas sejam únicas.

Em um último conselho, faça o que todos os escritores fazem depois de ler: escreva. Esse é o tipo de ofício que aquele ditado popular cai como uma luva: A prática leva à perfeição.

Até a próxima, pessoas! Qualquer dúvida: comentário :)